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In Jornal de Negócios, 14 de Janeiro de 2011, "Casais à força"

Woke up with this lightness in my chest… I remember staring at time… 3 o’clock in the morning and I never felt so awake for the past 3 months… I dance, I sang, I was ready for the world, for life… I felt ready… It came to my mind that everything in this life is constantly repeating… On & On and On, just like rain falling... For some reason, I recall Beckett… and I know, that I’ll fail, I’ll fail, I’ll fail continuously, ‘til I find you… And even iwhen I find you, I could possibly fail for not knowing what to do… And that, will be a failure… And maybe you leave… thinking that you also failed… And if both do, we should fail forward, again and again ‘til we know that it’s great to fail together! -
I lie down again and I ruined the sensation…
Everything seemed so real… This dream… You..
Now the tears of sorrow…
The crying of regret…
Saying…
I love you….
Well, I almost kill myself…
Where the fuck have you been?
My phone rings every fucking night and I’m not so happy…
You say you’re sorry…
You say you love me…
Really?
WHERE THE FUCK HAVE YOU BEEN?
....
Não deixes que algo “menos bom” tenha reflexo negativo no teu “eu”. Cria novas memórias, memórias tranquilizadoras e inspiradoras. A tua vida és tu! Agarra-a de novo! Sorri e vive! Não há nada aqui para reflectir, para filosofar… para entender…
"A vida é... bela!". (É só isso que tens que saber...)
"«Se tu vens as quatro
Desde as três eu sou feliz...»
E se as quatro tu não chegas...
Continuo feliz a te esperar até as cinco...
Mas se tu não vens...
Ansioso te espero até as seis...
As seis e meia já estou triste, te esperando ainda
As sete, arranco os cabelos e me pergunto: o que é que há? Tá pensando o que?
As oito, jogado no chão, já sou desespero...
As nove, quando tu chegas enfim... já não quero mais te ver.
Não há expectativa de felicidade que o desprezo não destrua."
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Luiz Vadico
"I'm sorry you had to go through such heart ache. I've gone through the same but in my case the one I truly loved died… I am married now and have a kid but I don't think I will ever be as happy as I once was with him. I feel I died the day he did, I've been told it was like I totally shut down the day he died and it seems like it at times. I hope you find someone to fill that whole in your heart as you and everyone deserves. "
Continuo sem perceber o que te atrai, em mim...
Sou tão...
Não sei...
Eu não me queria...
Não como estou hoje...
Sou um ser sem vontade...
Tu ainda me queres que eu sei...
Inúmeras vezes,
Inúmeras vezes tentamos...
Passeamos;
Rimos;
Gracejamos;
E no final do dia,
Tiveste meu corpo porque assim o desejaste...
Este corpo inútil que me pesa o pensamento...
Não entendo...
Não entendo o que vês nele...
Dei-to para provar a mim que ainda estou vivo,
Para ter a certeza que ainda corre sangue nestas veias.
Desculpa!
Fui pouco delicado quando bati a porta eu sei...
Tu és bela! (Talvez a mais bela mulher com quem estive...)
Eu uma besta, que te nego constantemente...
Sabes,
Nunca falei de ti, a ninguém...
Tenho vergonha que isto seja por amor...
Tenho vergonha de mim...
De me ver assim...
Por amor...
Por amor...
Por amor...
Andei sempre a cambalear...
Sempre...
E sei que no dia que eu te quiser,
No dia que eu te quiser, tu vais mandar-me à merda...
Oxalá assim não seja…
A leve esperança torna-nos frágeis e a fragilidade faz-nos sofrer...
A leve esperança leva-nos a fazer coisas… Coisas boas, coisas imbecis…imaturas… românticas, apaixonadas… - Quantos já não tentaram reatar uma relação… Quantos já não choraram, quantos já não fizeram quilómetros com um ramo de flores em punho (o mais belo de todos) na ânsia de reconquistar o coração de alguém… Nem sempre funciona… Por vezes o desgosto é maior… O desconcerto aterradoramente inquieto… A desilusão permanente... Mas Não mudes… Muda porventura de paixão… Lembra-te: Poucas pessoas terão o privilégio… Poucas o merecerão. Outras voltarão...
Comprei-te uns lindos sapatos. Fiz questão de os oferecer, a ti. Sonhei com o dia em que os calçaste. Eram os que querias, lembras? - “Babe, adoro aqueles sapatos…” – dizias… - Entusiasmado vi-te a experimentar… Até que: “Ahhhh, não me servem…” - Pensei imediatamente que os tinha de trocar… e assim o fiz... No dia seguinte voltei com uns 36, sem perceber porém que os sapatos deixaram de te servir, fosse qual fosse o número, tu já não os querias… Deixaste de os querer… Deixaste de me querer… “Preciso de tempo…” – Bem sei o que isso significa… Será que sei?... Por vezes sei que tudo sei e isso agoniza-me… Outras duvido se sei alguma coisa e desespero em silêncio… - E então os sapatos?! O que fazer? Não voltarei a oferecê-los, pois já o fiz e são teus! Ouviste?! São teus!! Podes vir buscá-los! Já te disse milhares de vezes… – Mas que merda… Tenho-os comigo desde então… Mas por que é que os tenho? Não sei o que fazer com eles… Eu sou mesmo anormal… - Guardo-os, preservo-os, mantenho neles todas as esperanças de te rever, de te tocar de te voltar a ter… Memórias, memórias da mais bela mulher que até há bem pouco tempo… Até há bem pouco tempo… Eu... tento perceber o porquê… Enquanto isso, durmo, não durmo, durmo mal, não durmo de todo… Merda! Merda merda merda! Não sei o que fazer com eles… Não sei tão-pouco o que fazer comigo… Eu deambulo desarticulado desde que foste e só sei que: Se não os queres… se não os queres como bem me parece, deixá-los-ei neste mesmo lugar a ganhar pó e a apodrecer! A apodrecer! Neste mesmo lugar onde também eu apodreço, lentamente, pelos cantos do que resta de mim, junto às beatas ruidosas de todos os cigarros que apressadamente engulo na ânsia de me acalmar… Acalmia... que vã sensação... - Sabes, não mais os olharei! "Não, não e não!" digo para mim, até porque sapatos precisam de pés para andar e tudo isto me faz atrofiar…
Sim, não me faz bem! Perturba-me o espírito! Não me traz calma! Calma, é isso! Eu preciso ter calma! Calma... Relaxa... Isso, isso... calma, mantém-te calmo... Merda… Não me saem da cabeça estes sapatos… Não são de cristal Não são um “ultimatum”, nem tão-pouco um adeus… Não me sais da cabeça… Se tu soubesses… Se tu realmente soubesses não me tratarias da forma como me tratas… Como um “menino chorão”… Será que te habituei mal? Será que pensaste que… Nem quero pensar… Mas para o caso, convém lembrar que não há, nem haverá outra mulher que eu queira calçar estes lindos sapatos… Não Há!!! Mas não me adianta repetir… palavras e mais palavras… Tenho tido sempre a mesma resposta... Que fraco… Ainda ontem estava tão bem! Decidido, determinado, confiante em desligar da corrente tudo o que me prende a ti… Eu que sempre te amei, eu que sempre… - Bem podes procurar alguém que te ofereça sapatos… Aliás tudo o que o dinheiro possa comprar… mas não terás certamente outros como estes… Talvez até te comprem felicidade…
(Foda-se… só me apetece berrar!...)
Mas como me posso ver assim? Como posso ser assim? Em tudo o que faço sou forte e contigo sou… Ridículo… Isto é ridículo! Esta vida carrega-me com a sua cruel ironia… Foda-se, toda a vida me senti descalço e desamparado… NUNCA ME DERAM NADA… e não sei bem por que é que continuo com esta ideia… de te calçar estes lindos sapatos… Talvez por ainda viverem neles a memória da mais bela mulher… Tenho tantas memórias…
Volta...
Quero-te...
Não consigo viver assim...
…
Sapatos… Um simples adereço… sem qualquer importância… uma falsa fantasia talvez…
Talvez não sejas a Cinderela… Talvez…
Adoro todos os teus gestos…
Adoro-me a mim quando estou contigo,
Adoro a leveza como o levamos…
É tudo tão… bom…
Não nos imaginei... juntos…
E é quando dormes a meu lado, amarrada a mim, que me pergunto:
É isto amor?
Eu não tenho a certeza…
It’s too bad when we’re beautiful,
"Lover, You Should've Come Over"
Looking out the door i see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations as their shoes fill up with water
And maybe i'm too young to keep good love from going wrong
But tonight you're on my mind so you never know
When i'm broken down and hungry for your love with no way to feed it
Where are you tonight, child you know how much i need it
Too young to hold on and too old to just break free and run
Sometimes a man gets carried away, when he feels like he should be having his fun
And much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that really, he has no-one
So i'll wait for you... and i'll burn
Will I ever see your sweet return
Oh will I ever learn
Oh lover, you should've come over
'Cause it's not too late
Lonely is the room, the bed is made, the open window lets the rain in
Burning in the corner is the only one who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep that will never come
It's never over, my kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over, all my riches for her smiles when i slept so soft against her
It's never over, all my blood for the sweetness of her laughter
It's never over, she's the tear that hangs inside my soul forever
Well maybe i'm just too young
To keep good love from going wrong
Oh... lover, you should've come over
'Cause it's not too late
Well I feel too young to hold on
And i'm much too old to break free and run
Too deaf, dumb, and blind to see the damage i've done
Sweet lover, you should've come over
Oh, love well i'm waiting for you
Lover, you should've come over
'Cause it's not too late.
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Jeff Buckley

Tem que acabar
Esta vaidade que nos ensombra
Esta malícia que me consome.
Mas tu não vês…
Não vês que eu…
Eu estou-te a usar
E tudo isto tem que acabar…
Esta cama fede a solidão sem teu perfume
E tu vens e vais
Sem nada mais
Tu vens e vais (sempre)
Sem nada mais
Sempre de mãos trémulas agastadas pela dúvida
Tu vais e vens,
Mas isto tem que acabar
...
Pois só tu vais um dia chorar...
" 'Cause we reach for what we're missing in:
Paro para pensar, hoje que estou tão sem… tão sem saber o que fazer… que de certo modo, te recordo… Era tão bom ter-te…aqui a meu lado. Bem lembro que contigo não tinha estes delírios, devaneios e indecisões ou cisões, esperanças, desesperanças…
Tu foste…
Eu fiz merda…
Já olhaste o céu hoje? …as estrelas dançam apaixonadamente sobre uma mentira. Uma mentira louca, doce e reconfortante.
“The one thing I hate most about me
Is the one thing you want to make your trademark
To feel lust without cute boring love”
Nós seguimos o caminho oposto a todos os outros: De estranhos.., a irremediáveis desconhecidos.
Estarei errado?
As palavras parecem não ter qualquer valor…
Mas que outra forma terei?
Se nada mais me é permitido dar?
Palavras…
Tudo o que eu faço com elas é imortalizar um sentimento… um…
Sempre acreditei em sorrisos...
“Pra que
Sofrer com despedida?
Se quem parte não leva,
Nem o sol, nem as trevas
E quem fica não se esquece
Tudo o que sonhou, eu sei
Tudo é tão simples que cabe
Num cartão postal
E se a história é de amor
Não acaba tão mal.”
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Rita Lee
Já lá vão alguns dias e sem lembrar o que tinha acontecido nos dias anteriores, fui para a rua convencido que tudo tinha terminado, aqueles sonhos, interrogações, dúvidas, onde constantemente me perguntava: "Mas por que me mentiu...?" - Já não queria respostas... Tinha-me esquecido de tudo tão rápido que já não conseguia lembrar o que me faltava... E assim me encontrava no final de ideias, palavras ou letras.
Até que Inês me liga num enorme pranto e me pergunta: "Mas por que vocês mentem?" - Demorei uns segundos a perceber... Antes disso disse-lhe: Acalma-te... Conta-me o que se passou desta vez... "É sempre a mesma merda... Já não consigo mais confiar nele... Vou terminar tudo... Tudo o que ele diz soa a mentira..." Mas por que mentem... Diz-me! Diz-me só isso... - Ouve Inês , todos... - hesitei, permaneci em silêncio a pensar calmamente no que dizer... enquanto Inês berrava desconcertada... "Acabo sempre assim..." - Desculpa... Não te posso ajudar rematei... - Mas porquê? Também já mentiste a alguém que te ama?!!!! Inês, tu sabes a resposta... Nós... Esquece, se alguém te mente é porque não é corajoso o suficiente para te dizer que já não te ama... E tu sabes isso que eu sei...
... Ai vida... É terrível dizer "Não" a alguém que nos AMA...
Não quero pensar nisso... Afinal, eu não sei merda nenhuma...
- Hey, What’s wrong… Why are you so sad?
- …I’ve got deep within myself the Myth of the Eternal Recurrence! I like to get back to the things & to the places that I’ve been left behind… To the lives I…
- Here’s a piece of advice! There’s no coming back… Get a new girl; Get new life… It’s never too late for a fresh start!!!
There’s no such thing as Ewige Wiederkunft...
Listen,
You have to learn to let it go...
Giving up dosen't always mean that you're weak...
Most of the times it means that you're strong enough
I never love
I never knew how to love
I never wanted to love
"Love is for fools who fall behind"
I only...
yelled “I love you” hoping… wishing, dreaming… that someday… maybe... you...
Tu não te irás encontrar!
Não enquanto viveres dentro de ti e não conseguires sair…
Precipito-me em palavras...
Sabes, há momentos que se perdem. Depois ficamos a pensar neles…
[...]
Tu devias ter-me beijado!
Devias ter feito muita coisa…
Agora só me apetece bater-te…
I wish
Por vezes penso…
I’m the pain killer
I provide you all the emotional support that you need
I fill your emotional gap
And you don’t need to bother at the end…
I’M DISPOSABLE
A falta de honestidade mata-me e nem por isso morro...
Certo dia vi uma mulher bela
Tão bela que meus olhos brilharam
Enquanto seus, apenas choravam
Uma mulher que me cativou
Uma mulher que me deslumbrou
Uma mulher que subitamente me deixou
Alguém já ouviu falar no "Suplício de Tântalo"? Não? Sim? Não têm a mínima curiosidade em saber do que se trata? - Podem sempre procurar no google... - No entanto, eu, enquanto pesquisava sobre Samuel Beckett, encontrei um link que me levou a outro e a... até que: Lá estava... O suplício de um Homem.
Porque haveriamos nós de entender as mulheres...
Go 'way from my window,
Fartei-me de presumir a teu respeito! - Estou cansado!

Por vezes e vezes, queremos tanto que entendam o nosso estado de espírito... Seja com uma flor, com uma música... Mas,
- Controla as tuas emoções...
Não és mais do que uma folha...
Segue-se isto: "Toda a gente me quer ver. Menos quem anseio. Toda a gente insiste em falar comigo. Menos quem eu quero que me fale. Sempre foi assim… As pessoas importunam-me e importunam outros com perguntas acerca do que estou a fazer. Como estou? Estou outra vez bem? Estou outra vez mal? Ainda dou os meus passeios no campo? Trabalho?
(...)
Meu Deus, em que me transformei? Que direito têm as pessoas de atravancar a minha vida, roubar o meu tempo, sondar a minha alma, sugar os meus pensamentos e ter-me por companheiro confidente e secção de informações? Por quem me tomam? Serei animador pago, obrigado a representar todas as noites uma farsa intelectual debaixo dos vossos estúpidos narizes? Serei um escravo, comprado e pago, obrigado a rojar-me diante de vós, ociosos, e a depositar aos vossos pés tudo aquilo que faço e tudo aquilo que sei ou não sei? Serei uma prostituta de bordel, obrigada a levantar a saia ou despir a camisa por ordem do primeiro homem que apareça?
Sou um homem que gostaria de viver uma vida heróica e de tornar o mundo mais suportável aos seus próprios olhos. Se, num momento de fraqueza, de descontracção, de necessidade solto vapor - um pouco de raiva ígnea arrefecida em palavras, um sonho apaixonado embrulhado e atado em imagens - , bem peguem ou largem... mas não me chateiem!
Sou um homem livre, e preciso da minha liberdade. Preciso de estar só. Preciso de meditar na minha vergonha e no meu desespero em reclusão; preciso do sol e das pedras das ruas sem companhia, sem conversa, cara a cara comigo próprio, tendo a acompanhar-me apenas a música do meu coração. Que quereis de mim? Quando tiver alguma coisa para dizer, imprimi-la-ei. Quando tiver alguma coisa para dar, dár-la-ei. A vossa curiosidade dá-me volta ao estomago! Os vossos elogios humilham-me! O vosso chá envenena-me! Não devo nada a ninguém. Apenas perante Deus seria responsável... se ele existisse!
(...)
De certo modo, a consciência de que não havia mais nada a esperar exerceu em mim um efeito salutar. Durante semanas e meses, durante anos, na realidade durante toda a minha vida esperara que acontecesse qualquer coisa, qualquer evento intrínseco que alterasse a minha vida, e eis que de súbito, inspirado pela absoluta desesperança de tudo, me sentia aliviado, como se me tivessem tirado de cima um grande peso. Nada do que até então me acontecera chegara para me destruir; nada fora destruído a não ser as minhas ilusões. Eu estava intacto. O Mundo estava intacto. Amanhã poderia haver uma revolução, uma peste, um terramoto. Tomei a decisão de não me prender a nada, de não esperar nada, de, futuramente, viver como um animal, como um predador, um vagabundo, um saqueador. Mesmo que fosse declarada guerra e me calhasse em sorte ir, agarraria na baioneta e cravá-la-ia, cravá-la-ia até ao fim. (...)
Se viver é o principal, então viverei, nem que me tenha que tornar canibal. Até agora tenho tentado poupar o meu precioso couro, tenho tentado preservar os poucos bocados de carne que me tapam os ossos. Mas isso acabou. A alvorada ilumina um mundo novo, um mundo de selva em que os espíritos magros vagueiam de garras afiadas. Sou uma hiena, sou uma hiena magra e faminta: avanço para engordar.
(...)
«Porque não tentas escrever?»
Escrever, reflecti, deve ser um acto despido de vontade. A palavra, como a profunda corrente oceânica, deve subir à superfície impelida pelo seu próprio impulso. Um homem escreve para se libertar do veneno que acumulou em consequência do seu falso modo de vida. Tenta recapturar a sua inocência, mas só consegue (escrevendo) inocular na palavra o vírus da sua desilusão. Nenhum homem escreveria uma palavra se tivesse a coragem de viver de acordo com aquilo em que acredita.
A pequena frase - Porque não tentas escrever? - atolou-me como desde o próprio momento em que fora pronunciada, num irremediável pântano de confusão. Queria encantar, mas não escravizar; queria uma vida mais grandiosa e mais rica, mas não a expensas de outros; queria libertar a imaginação de todos os homens ao mesmo tempo... O acto de escrever, per se, não me merecia nenhum respeito. Ninguém, nenhum princípio, nenhuma ideia, tem qualquer validade em si mesmo. O único benefício - pensei - que o acto de escrever me poderia proporcionar seria afastar as dissemelhanças que me separavam dos meus semelhantes. Não queria, de modo algum, tornar-me artista, no sentido de me transformar em algo estranho, algo independente e fora da corrente da vida.
A melhor coisa que existe em escrever não é o trabalho efectivo de alinhar palavra após palavra, de colocar tijolo sobre tijolo; o melhor são os preliminares, o trabalho de preparação que se faz em silêncio e em quaisquer circunstâncias, tanto em estado de sonho como de vigília. Em resumo, o período de gestação. Jamais homem algum escreve o que desejaria dizer...
O escritor verdadeiramente grande não quer escrever: o que quer é que o mundo seja um lugar onde possa viver a vida da imaginação. A primeira palavra trémula que transmite ao papel é a do anjo ferido: a dor."
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Henry Miller (adpt.)
Tenho reparado que fujo constantemente da vida...
- Sabes que sempre gostei da simplicidade!
Sempre gostei da simplicidade! É ponto assente.
Como pode tudo o que mais admiro simplesmente degenerar-se?
Os mais sinceros momentos... rapidamente esquecidos...
Os mais carinhosos gestos... abruptamente entorpecidos…
Os mais afáveis instantes... para sempre perdidos…
As mais doces palavras... subjugadas por um tom mudo...
Foi tudo deixado para trás.
Ficamos sós...
Despidos da pureza que outra hora nos uniu
Como pode tudo o que mais admiro desfazer-se em mil pedaços impossíveis de fixar
Mil pedaços de dor que para todo o sempre vou lembrar
Como deixei tudo desmoronar-se
Como não nos vi lentamente morrer
Como fui tão cego, tão frio
Deixei tudo evaporar num denso e atroz nevoeiro
Ficamos sós…
Nós e a triste realidade
Nós e a nossa infiel transparência...
Por que assististe a tudo tão silenciosamente?
Quando era um “não” que se te pedia
Por que permaneceste imóvel num sossego ensurdecedor, numa invisibilidade perceptível a olho nu?
Quando era um “não” que se te pedia
Pois ninguém tem dúvidas e eu também não, que, quando um não se vê único no seio de infinitos sins, torna-se nobre, mesmo assim rejeitado por ti, apenas pela negatividade da palavra que nunca aprendeste a aceitar.
Um simples “não” poderia ter evitado tanto sofrimento
Se apenas tivesses dito “não”
“NÃO”
Mas não foste capaz!
Não foste capaz!
Foi tudo deixado para trás.
Ficamos sós…
Despidos da pureza que outra hora nos uniu
Presos pela tua inércia que lentamente nos sucumbiu
Um dia conheci-te. Noutro sonhei que te conhecia.
E agora sei que tudo não passou de uma assombração.
Não quero acreditar que mudaste
É difícil aceitar que já não sei quem és!
Provavelmente não existes!
Posso-te chamar fantasma?
Não quero acreditar que também mudei
É difícil aceitar que também já não sei quem sou!